O Brasil é um território com tantas camadas distintas em seu povo que um recorte mínimo cultural de uma cidade com pouco mais de 13 mil habitantes é suficiente para entregar um filme coberto de identidade e histórias interessantes a serem contadas. Buenosaires, o documentário dirigido por Tuca Siqueira, conseguiu transformar essa pequena cidade do interior de Pernambuco, que divide o mesmo nome da capital argentina, em um relato leve, prazeroso e que, por trás da simplicidade, carrega suas críticas em torno da sociedade em que insistimos em viver.
Em nenhum momento o documentário promete entregar algo épico ou um debate aprofundado sobre determinado assunto. Na verdade, a lente está ali para desvendar curiosidades de uma cidade de nome carismático e que se utiliza desse fato curioso para tornar aquele lugar especial em meio a tantos outros de extrema semelhança. O filme fala sobre a criatividade do povo brasileiro em utilizar uma fração de motivo para enfrentar problemas reais, sejam eles econômicos ou de identidade, ainda que essa criatividade seja, em certa medida, lamentável, por partir de uma lógica de sobrevivência e não de exploração de novas ideias.
Mesmo sem apresentar oficialmente ninguém, o filme nos entrega muitos personagens interessantes. São daquelas pessoas cujos simples relatos do dia a dia já são suficientes para prender nossa atenção, como ouvir histórias daquele morador antigo do bairro. A técnica do documentário é tentar ao máximo capturar os diálogos reais do cotidiano, de modo que parece que estamos em uma missão de turismo, sem nos preocuparmos em tirar lições de tudo o que nos é dito. Isso é um ganho, porque torna tudo mais leve e deixa para o espectador a tarefa de captar as cutucadas sociais que aparecem ao longo do caminho, aqui muito ligadas à precariedade do trabalho.
Outro ponto que o filme trata com habilidade é o velho sonho de nos tornarmos aquilo que queremos ser, e não necessariamente aquilo que somos. Esses sonhos são ditos e não ditos em diversos momentos da obra, onde é permitido imaginar uma vida melhor, mas não necessariamente realizá-la. A realidade é um galo que sempre canta cedo demais para trazer esses moradores de volta ao chão. No longa, essa questão está sempre presente, seja no personagem que quer ser uma estrela internacional do rock, seja no velho coveiro que sonha em ser enterrado no cemitério em que trabalha.
Por incrível que pareça, o ponto mais baixo do filme, ao meu ver, é quando ele tenta, a todo momento, nos empurrar uma frágil semelhança entre o povo nordestino brasileiro e nossos irmãos argentinos. Isso poderia ser feito de diversas maneiras: na luta pela sobrevivência, no enfrentamento da desigualdade, na força de um povo que encontra na arte — assim como no futebol — um momento de refúgio, ou até mesmo no sangue legitimamente latino-americano de resistência que carregamos. Não me parece suficiente reduzir uma identidade inteira a um comércio paralelo de venda de empanadas e a um time de várzea chamado Boca Juniors.
O documentário, com sua simplicidade poderosa, consegue, sem precisar dessas artimanhas, se tornar inesquecível. Para piorar, tudo isso é ilustrado por uma narração em off que busca esfregar essas narrativas em nossa cara, como se não fôssemos capazes de vê-las e senti-las por conta própria. O documentário, que tem justamente na sutileza o seu maior poder, acaba revelando certa fragilidade quando insiste nesse caminho.
O curioso é que o próprio filme parece não perceber o quanto o material que tem nas mãos já basta. Não era preciso buscar validação em paralelos argentinos nem reforçar interpretações através da narração. Aquelas pessoas já sustentam o documentário sozinhas. Seus sonhos, frustrações, contradições e formas de sobreviver ao cotidiano carregam muito mais verdade do que qualquer associação construída artificialmente. Buenosaires deixa sua marca quando observa; quando tenta explicar demais, apenas diminui a potência do que já estava diante dos nossos olhos.
O Brasil é um território com tantas camadas distintas em seu povo que um recorte mínimo cultural de uma cidade com pouco mais de 13 mil habitantes é suficiente para entregar um filme coberto de identidade e histórias interessantes a serem contadas. Buenosaires, o documentário dirigido por Tuca Siqueira, conseguiu transformar essa pequena cidade do interior de Pernambuco, que divide o mesmo nome da capital argentina, em um relato leve, prazeroso e que, por trás da simplicidade, carrega suas críticas em torno da sociedade em que insistimos em viver.
Em nenhum momento o documentário promete entregar algo épico ou um debate aprofundado sobre determinado assunto. Na verdade, a lente está ali para desvendar curiosidades de uma cidade de nome carismático e que se utiliza desse fato curioso para tornar aquele lugar especial em meio a tantos outros de extrema semelhança. O filme fala sobre a criatividade do povo brasileiro em utilizar uma fração de motivo para enfrentar problemas reais, sejam eles econômicos ou de identidade, ainda que essa criatividade seja, em certa medida, lamentável, por partir de uma lógica de sobrevivência e não de exploração de novas ideias.
Mesmo sem apresentar oficialmente ninguém, o filme nos entrega muitos personagens interessantes. São daquelas pessoas cujos simples relatos do dia a dia já são suficientes para prender nossa atenção, como ouvir histórias daquele morador antigo do bairro. A técnica do documentário é tentar ao máximo capturar os diálogos reais do cotidiano, de modo que parece que estamos em uma missão de turismo, sem nos preocuparmos em tirar lições de tudo o que nos é dito. Isso é um ganho, porque torna tudo mais leve e deixa para o espectador a tarefa de captar as cutucadas sociais que aparecem ao longo do caminho, aqui muito ligadas à precariedade do trabalho.
Outro ponto que o filme trata com habilidade é o velho sonho de nos tornarmos aquilo que queremos ser, e não necessariamente aquilo que somos. Esses sonhos são ditos e não ditos em diversos momentos da obra, onde é permitido imaginar uma vida melhor, mas não necessariamente realizá-la. A realidade é um galo que sempre canta cedo demais para trazer esses moradores de volta ao chão. No longa, essa questão está sempre presente, seja no personagem que quer ser uma estrela internacional do rock, seja no velho coveiro que sonha em ser enterrado no cemitério em que trabalha.
Por incrível que pareça, o ponto mais baixo do filme, ao meu ver, é quando ele tenta, a todo momento, nos empurrar uma frágil semelhança entre o povo nordestino brasileiro e nossos irmãos argentinos. Isso poderia ser feito de diversas maneiras: na luta pela sobrevivência, no enfrentamento da desigualdade, na força de um povo que encontra na arte — assim como no futebol — um momento de refúgio, ou até mesmo no sangue legitimamente latino-americano de resistência que carregamos. Não me parece suficiente reduzir uma identidade inteira a um comércio paralelo de venda de empanadas e a um time de várzea chamado Boca Juniors.
O documentário, com sua simplicidade poderosa, consegue, sem precisar dessas artimanhas, se tornar inesquecível. Para piorar, tudo isso é ilustrado por uma narração em off que busca esfregar essas narrativas em nossa cara, como se não fôssemos capazes de vê-las e senti-las por conta própria. O documentário, que tem justamente na sutileza o seu maior poder, acaba revelando certa fragilidade quando insiste nesse caminho.
O curioso é que o próprio filme parece não perceber o quanto o material que tem nas mãos já basta. Não era preciso buscar validação em paralelos argentinos nem reforçar interpretações através da narração. Aquelas pessoas já sustentam o documentário sozinhas. Seus sonhos, frustrações, contradições e formas de sobreviver ao cotidiano carregam muito mais verdade do que qualquer associação construída artificialmente. Buenosaires deixa sua marca quando observa; quando tenta explicar demais, apenas diminui a potência do que já estava diante dos nossos olhos.
O Brasil é um território com tantas camadas distintas em seu povo que um recorte mínimo cultural de uma cidade com pouco mais de 13 mil habitantes é suficiente para entregar um filme coberto de identidade e histórias interessantes a serem contadas. Buenosaires, o documentário dirigido por Tuca Siqueira, conseguiu transformar essa pequena cidade do interior de Pernambuco, que divide o mesmo nome da capital argentina, em um relato leve, prazeroso e que, por trás da simplicidade, carrega suas críticas em torno da sociedade em que insistimos em viver.
Em nenhum momento o documentário promete entregar algo épico ou um debate aprofundado sobre determinado assunto. Na verdade, a lente está ali para desvendar curiosidades de uma cidade de nome carismático e que se utiliza desse fato curioso para tornar aquele lugar especial em meio a tantos outros de extrema semelhança. O filme fala sobre a criatividade do povo brasileiro em utilizar uma fração de motivo para enfrentar problemas reais, sejam eles econômicos ou de identidade, ainda que essa criatividade seja, em certa medida, lamentável, por partir de uma lógica de sobrevivência e não de exploração de novas ideias.
Mesmo sem apresentar oficialmente ninguém, o filme nos entrega muitos personagens interessantes. São daquelas pessoas cujos simples relatos do dia a dia já são suficientes para prender nossa atenção, como ouvir histórias daquele morador antigo do bairro. A técnica do documentário é tentar ao máximo capturar os diálogos reais do cotidiano, de modo que parece que estamos em uma missão de turismo, sem nos preocuparmos em tirar lições de tudo o que nos é dito. Isso é um ganho, porque torna tudo mais leve e deixa para o espectador a tarefa de captar as cutucadas sociais que aparecem ao longo do caminho, aqui muito ligadas à precariedade do trabalho.
Outro ponto que o filme trata com habilidade é o velho sonho de nos tornarmos aquilo que queremos ser, e não necessariamente aquilo que somos. Esses sonhos são ditos e não ditos em diversos momentos da obra, onde é permitido imaginar uma vida melhor, mas não necessariamente realizá-la. A realidade é um galo que sempre canta cedo demais para trazer esses moradores de volta ao chão. No longa, essa questão está sempre presente, seja no personagem que quer ser uma estrela internacional do rock, seja no velho coveiro que sonha em ser enterrado no cemitério em que trabalha.
Por incrível que pareça, o ponto mais baixo do filme, ao meu ver, é quando ele tenta, a todo momento, nos empurrar uma frágil semelhança entre o povo nordestino brasileiro e nossos irmãos argentinos. Isso poderia ser feito de diversas maneiras: na luta pela sobrevivência, no enfrentamento da desigualdade, na força de um povo que encontra na arte — assim como no futebol — um momento de refúgio, ou até mesmo no sangue legitimamente latino-americano de resistência que carregamos. Não me parece suficiente reduzir uma identidade inteira a um comércio paralelo de venda de empanadas e a um time de várzea chamado Boca Juniors.
O documentário, com sua simplicidade poderosa, consegue, sem precisar dessas artimanhas, se tornar inesquecível. Para piorar, tudo isso é ilustrado por uma narração em off que busca esfregar essas narrativas em nossa cara, como se não fôssemos capazes de vê-las e senti-las por conta própria. O documentário, que tem justamente na sutileza o seu maior poder, acaba revelando certa fragilidade quando insiste nesse caminho.
O curioso é que o próprio filme parece não perceber o quanto o material que tem nas mãos já basta. Não era preciso buscar validação em paralelos argentinos nem reforçar interpretações através da narração. Aquelas pessoas já sustentam o documentário sozinhas. Seus sonhos, frustrações, contradições e formas de sobreviver ao cotidiano carregam muito mais verdade do que qualquer associação construída artificialmente. Buenosaires deixa sua marca quando observa; quando tenta explicar demais, apenas diminui a potência do que já estava diante dos nossos olhos.
O Brasil é um território com tantas camadas distintas em seu povo que um recorte mínimo cultural de uma cidade com pouco mais de 13 mil habitantes é suficiente para entregar um filme coberto de identidade e histórias interessantes a serem contadas. Buenosaires, o documentário dirigido por Tuca Siqueira, conseguiu transformar essa pequena cidade do interior de Pernambuco, que divide o mesmo nome da capital argentina, em um relato leve, prazeroso e que, por trás da simplicidade, carrega suas críticas em torno da sociedade em que insistimos em viver.
Em nenhum momento o documentário promete entregar algo épico ou um debate aprofundado sobre determinado assunto. Na verdade, a lente está ali para desvendar curiosidades de uma cidade de nome carismático e que se utiliza desse fato curioso para tornar aquele lugar especial em meio a tantos outros de extrema semelhança. O filme fala sobre a criatividade do povo brasileiro em utilizar uma fração de motivo para enfrentar problemas reais, sejam eles econômicos ou de identidade, ainda que essa criatividade seja, em certa medida, lamentável, por partir de uma lógica de sobrevivência e não de exploração de novas ideias.
Mesmo sem apresentar oficialmente ninguém, o filme nos entrega muitos personagens interessantes. São daquelas pessoas cujos simples relatos do dia a dia já são suficientes para prender nossa atenção, como ouvir histórias daquele morador antigo do bairro. A técnica do documentário é tentar ao máximo capturar os diálogos reais do cotidiano, de modo que parece que estamos em uma missão de turismo, sem nos preocuparmos em tirar lições de tudo o que nos é dito. Isso é um ganho, porque torna tudo mais leve e deixa para o espectador a tarefa de captar as cutucadas sociais que aparecem ao longo do caminho, aqui muito ligadas à precariedade do trabalho.
Outro ponto que o filme trata com habilidade é o velho sonho de nos tornarmos aquilo que queremos ser, e não necessariamente aquilo que somos. Esses sonhos são ditos e não ditos em diversos momentos da obra, onde é permitido imaginar uma vida melhor, mas não necessariamente realizá-la. A realidade é um galo que sempre canta cedo demais para trazer esses moradores de volta ao chão. No longa, essa questão está sempre presente, seja no personagem que quer ser uma estrela internacional do rock, seja no velho coveiro que sonha em ser enterrado no cemitério em que trabalha.
Por incrível que pareça, o ponto mais baixo do filme, ao meu ver, é quando ele tenta, a todo momento, nos empurrar uma frágil semelhança entre o povo nordestino brasileiro e nossos irmãos argentinos. Isso poderia ser feito de diversas maneiras: na luta pela sobrevivência, no enfrentamento da desigualdade, na força de um povo que encontra na arte — assim como no futebol — um momento de refúgio, ou até mesmo no sangue legitimamente latino-americano de resistência que carregamos. Não me parece suficiente reduzir uma identidade inteira a um comércio paralelo de venda de empanadas e a um time de várzea chamado Boca Juniors.
O documentário, com sua simplicidade poderosa, consegue, sem precisar dessas artimanhas, se tornar inesquecível. Para piorar, tudo isso é ilustrado por uma narração em off que busca esfregar essas narrativas em nossa cara, como se não fôssemos capazes de vê-las e senti-las por conta própria. O documentário, que tem justamente na sutileza o seu maior poder, acaba revelando certa fragilidade quando insiste nesse caminho.
O curioso é que o próprio filme parece não perceber o quanto o material que tem nas mãos já basta. Não era preciso buscar validação em paralelos argentinos nem reforçar interpretações através da narração. Aquelas pessoas já sustentam o documentário sozinhas. Seus sonhos, frustrações, contradições e formas de sobreviver ao cotidiano carregam muito mais verdade do que qualquer associação construída artificialmente. Buenosaires deixa sua marca quando observa; quando tenta explicar demais, apenas diminui a potência do que já estava diante dos nossos olhos.