Cinco da Tarde

2023

125 min

Avaliação: 3.5 de 5.

Direção: Eduardo Nunes
Roteiro: Eduardo Nunes
Elenco: Bárbara Luz, Sharon Cho, Analu Prestes
Gênero: Drama


Escrito por:

Cinco da Tarde é um filme que nos dá uma ampla oportunidade de interpretar e sentir, o que faz com que a experiência se torne bastante particular, de acordo com as próprias vivências, traumas e gatilhos de cada espectador. É, antes de tudo, um filme bastante peculiar e corajoso, que abraça uma ideia de intimidade, diálogos tímidos e uma construção lenta, sem deixar o interesse de lado. Talvez essa seja sua grande habilidade.

O diretor Eduardo Nunes coloca aqui toda a sua identidade criativa ao contar a história de duas personagens de personalidades distintas, unidas pela solidão e pela dor do luto. Anabel acaba de perder a avó e encontra em sua vizinha, Meiko, o acolhimento e a calmaria de que sua vida necessitava naquele momento.

É muito interessante observar que essa aproximação não acontece de forma convencional. Há uma dificuldade inicial de conexão entre as duas, muito bem construída pela direção, que nos entrega diálogos que, pela falta de fluidez proposital, causam um incômodo estranho e nos impulsionam a querer saber qual será o desfecho daquela relação.

O que explica esse caminho árduo na construção de uma relação de afeto entre as duas é justamente a diferença de personalidade entre elas. Enquanto Anabel é mais impulsiva, deixando que seus sentimentos guiem suas ações a todo momento, Meiko é retraída e faz com que seus sentimentos inibam suas atitudes. Esse contraste funciona como um motor que impulsiona a narrativa, justamente por construir camadas de personalidade que a vida humana sempre nos apresenta.

Talvez a forma como o roteiro tenta mostrar isso soe um pouco exagerada, principalmente com a personagem Anabel. Ele se apoia em diversas cenas dela balançando a perna, mexendo no celular em meio aos diálogos ou trocando de lugar repetidamente. Em alguns momentos, a sensação é de que o filme reforça excessivamente características que já haviam sido compreendidas pelo espectador.

Também vejo que a dor do luto, tão bem construída na narrativa de Anabel, não é replicada no contexto de Meiko, principalmente quando falamos da perda de sua mãe. O filme até constrói, no início, um mistério sobre isso, mas, no momento do desfecho, escolhe uma forma que, ao meu ver, é simples demais para contar essa história. Isso não combina com toda a construção delicada da obra. Parece que, no meio do caminho, o filme lembrou que precisava explicar ao público o trauma de Meiko e encontrou na conveniência do roteiro uma forma de trazer esse desfecho para a tela.

Ainda assim, Cinco da Tarde é um filme cheio de poesia e com uma conclusão muito forte, apesar de sua premissa simples. A construção da relação entre Anabel e Meiko é, de fato, o grande trunfo da obra. Em meio a tantas dores e silêncios, são raros os momentos de alegria compartilhados entre as duas, o que torna cada pequena demonstração de afeto ainda mais significativa.

Não à toa, o primeiro contato físico entre elas acontece apenas no final do filme. Depois de uma longa jornada marcada pela dificuldade de se abrir ao outro, ambas finalmente se rendem ao afeto e ao carinho de que precisavam desesperadamente. É um momento simples, mas que carrega todo o peso emocional acumulado ao longo da narrativa.

E então fica a pergunta que acompanha o filme: por que o sino não toca às 17 horas, mas sim às 18? Quando finalmente ouvimos o sino tocar às cinco da tarde, o gesto ganha um significado especial. O filme parece utilizar esse momento como símbolo da transformação vivida pelas personagens. O sino toca quando elas finalmente conseguem encontrar uma na outra o acolhimento que tanto buscavam. É um encerramento delicado, coerente com a proposta da obra e que reforça a força emocional de uma história construída muito mais pelos sentimentos do que pelas palavras.

Cinco da Tarde

2023

125 min

Avaliação: 3.5 de 5.

Direção: Eduardo Nunes
Roteiro: Eduardo Nunes
Elenco: Bárbara Luz, Sharon Cho, Analu Prestes
Gênero: Drama


Escrito por:

Cinco da Tarde é um filme que nos dá uma ampla oportunidade de interpretar e sentir, o que faz com que a experiência se torne bastante particular, de acordo com as próprias vivências, traumas e gatilhos de cada espectador. É, antes de tudo, um filme bastante peculiar e corajoso, que abraça uma ideia de intimidade, diálogos tímidos e uma construção lenta, sem deixar o interesse de lado. Talvez essa seja sua grande habilidade.

O diretor Eduardo Nunes coloca aqui toda a sua identidade criativa ao contar a história de duas personagens de personalidades distintas, unidas pela solidão e pela dor do luto. Anabel acaba de perder a avó e encontra em sua vizinha, Meiko, o acolhimento e a calmaria de que sua vida necessitava naquele momento.

É muito interessante observar que essa aproximação não acontece de forma convencional. Há uma dificuldade inicial de conexão entre as duas, muito bem construída pela direção, que nos entrega diálogos que, pela falta de fluidez proposital, causam um incômodo estranho e nos impulsionam a querer saber qual será o desfecho daquela relação.

O que explica esse caminho árduo na construção de uma relação de afeto entre as duas é justamente a diferença de personalidade entre elas. Enquanto Anabel é mais impulsiva, deixando que seus sentimentos guiem suas ações a todo momento, Meiko é retraída e faz com que seus sentimentos inibam suas atitudes. Esse contraste funciona como um motor que impulsiona a narrativa, justamente por construir camadas de personalidade que a vida humana sempre nos apresenta.

Talvez a forma como o roteiro tenta mostrar isso soe um pouco exagerada, principalmente com a personagem Anabel. Ele se apoia em diversas cenas dela balançando a perna, mexendo no celular em meio aos diálogos ou trocando de lugar repetidamente. Em alguns momentos, a sensação é de que o filme reforça excessivamente características que já haviam sido compreendidas pelo espectador.

Também vejo que a dor do luto, tão bem construída na narrativa de Anabel, não é replicada no contexto de Meiko, principalmente quando falamos da perda de sua mãe. O filme até constrói, no início, um mistério sobre isso, mas, no momento do desfecho, escolhe uma forma que, ao meu ver, é simples demais para contar essa história. Isso não combina com toda a construção delicada da obra. Parece que, no meio do caminho, o filme lembrou que precisava explicar ao público o trauma de Meiko e encontrou na conveniência do roteiro uma forma de trazer esse desfecho para a tela.

Ainda assim, Cinco da Tarde é um filme cheio de poesia e com uma conclusão muito forte, apesar de sua premissa simples. A construção da relação entre Anabel e Meiko é, de fato, o grande trunfo da obra. Em meio a tantas dores e silêncios, são raros os momentos de alegria compartilhados entre as duas, o que torna cada pequena demonstração de afeto ainda mais significativa.

Não à toa, o primeiro contato físico entre elas acontece apenas no final do filme. Depois de uma longa jornada marcada pela dificuldade de se abrir ao outro, ambas finalmente se rendem ao afeto e ao carinho de que precisavam desesperadamente. É um momento simples, mas que carrega todo o peso emocional acumulado ao longo da narrativa.

E então fica a pergunta que acompanha o filme: por que o sino não toca às 17 horas, mas sim às 18? Quando finalmente ouvimos o sino tocar às cinco da tarde, o gesto ganha um significado especial. O filme parece utilizar esse momento como símbolo da transformação vivida pelas personagens. O sino toca quando elas finalmente conseguem encontrar uma na outra o acolhimento que tanto buscavam. É um encerramento delicado, coerente com a proposta da obra e que reforça a força emocional de uma história construída muito mais pelos sentimentos do que pelas palavras.

Cinco da Tarde

2023

125 min

Avaliação: 3.5 de 5.

Direção: Eduardo Nunes
Roteiro: Eduardo Nunes
Elenco: Bárbara Luz, Sharon Cho, Analu Prestes
Gênero: Drama


Escrito por:

Cinco da Tarde é um filme que nos dá uma ampla oportunidade de interpretar e sentir, o que faz com que a experiência se torne bastante particular, de acordo com as próprias vivências, traumas e gatilhos de cada espectador. É, antes de tudo, um filme bastante peculiar e corajoso, que abraça uma ideia de intimidade, diálogos tímidos e uma construção lenta, sem deixar o interesse de lado. Talvez essa seja sua grande habilidade.

O diretor Eduardo Nunes coloca aqui toda a sua identidade criativa ao contar a história de duas personagens de personalidades distintas, unidas pela solidão e pela dor do luto. Anabel acaba de perder a avó e encontra em sua vizinha, Meiko, o acolhimento e a calmaria de que sua vida necessitava naquele momento.

É muito interessante observar que essa aproximação não acontece de forma convencional. Há uma dificuldade inicial de conexão entre as duas, muito bem construída pela direção, que nos entrega diálogos que, pela falta de fluidez proposital, causam um incômodo estranho e nos impulsionam a querer saber qual será o desfecho daquela relação.

O que explica esse caminho árduo na construção de uma relação de afeto entre as duas é justamente a diferença de personalidade entre elas. Enquanto Anabel é mais impulsiva, deixando que seus sentimentos guiem suas ações a todo momento, Meiko é retraída e faz com que seus sentimentos inibam suas atitudes. Esse contraste funciona como um motor que impulsiona a narrativa, justamente por construir camadas de personalidade que a vida humana sempre nos apresenta.

Talvez a forma como o roteiro tenta mostrar isso soe um pouco exagerada, principalmente com a personagem Anabel. Ele se apoia em diversas cenas dela balançando a perna, mexendo no celular em meio aos diálogos ou trocando de lugar repetidamente. Em alguns momentos, a sensação é de que o filme reforça excessivamente características que já haviam sido compreendidas pelo espectador.

Também vejo que a dor do luto, tão bem construída na narrativa de Anabel, não é replicada no contexto de Meiko, principalmente quando falamos da perda de sua mãe. O filme até constrói, no início, um mistério sobre isso, mas, no momento do desfecho, escolhe uma forma que, ao meu ver, é simples demais para contar essa história. Isso não combina com toda a construção delicada da obra. Parece que, no meio do caminho, o filme lembrou que precisava explicar ao público o trauma de Meiko e encontrou na conveniência do roteiro uma forma de trazer esse desfecho para a tela.

Ainda assim, Cinco da Tarde é um filme cheio de poesia e com uma conclusão muito forte, apesar de sua premissa simples. A construção da relação entre Anabel e Meiko é, de fato, o grande trunfo da obra. Em meio a tantas dores e silêncios, são raros os momentos de alegria compartilhados entre as duas, o que torna cada pequena demonstração de afeto ainda mais significativa.

Não à toa, o primeiro contato físico entre elas acontece apenas no final do filme. Depois de uma longa jornada marcada pela dificuldade de se abrir ao outro, ambas finalmente se rendem ao afeto e ao carinho de que precisavam desesperadamente. É um momento simples, mas que carrega todo o peso emocional acumulado ao longo da narrativa.

E então fica a pergunta que acompanha o filme: por que o sino não toca às 17 horas, mas sim às 18? Quando finalmente ouvimos o sino tocar às cinco da tarde, o gesto ganha um significado especial. O filme parece utilizar esse momento como símbolo da transformação vivida pelas personagens. O sino toca quando elas finalmente conseguem encontrar uma na outra o acolhimento que tanto buscavam. É um encerramento delicado, coerente com a proposta da obra e que reforça a força emocional de uma história construída muito mais pelos sentimentos do que pelas palavras.

Cinco da Tarde

2023

125 min

Avaliação: 3.5 de 5.

Direção: Eduardo Nunes
Roteiro: Eduardo Nunes
Elenco: Bárbara Luz, Sharon Cho, Analu Prestes
Gênero: Drama


Escrito por:

Cinco da Tarde é um filme que nos dá uma ampla oportunidade de interpretar e sentir, o que faz com que a experiência se torne bastante particular, de acordo com as próprias vivências, traumas e gatilhos de cada espectador. É, antes de tudo, um filme bastante peculiar e corajoso, que abraça uma ideia de intimidade, diálogos tímidos e uma construção lenta, sem deixar o interesse de lado. Talvez essa seja sua grande habilidade.

O diretor Eduardo Nunes coloca aqui toda a sua identidade criativa ao contar a história de duas personagens de personalidades distintas, unidas pela solidão e pela dor do luto. Anabel acaba de perder a avó e encontra em sua vizinha, Meiko, o acolhimento e a calmaria de que sua vida necessitava naquele momento.

É muito interessante observar que essa aproximação não acontece de forma convencional. Há uma dificuldade inicial de conexão entre as duas, muito bem construída pela direção, que nos entrega diálogos que, pela falta de fluidez proposital, causam um incômodo estranho e nos impulsionam a querer saber qual será o desfecho daquela relação.

O que explica esse caminho árduo na construção de uma relação de afeto entre as duas é justamente a diferença de personalidade entre elas. Enquanto Anabel é mais impulsiva, deixando que seus sentimentos guiem suas ações a todo momento, Meiko é retraída e faz com que seus sentimentos inibam suas atitudes. Esse contraste funciona como um motor que impulsiona a narrativa, justamente por construir camadas de personalidade que a vida humana sempre nos apresenta.

Talvez a forma como o roteiro tenta mostrar isso soe um pouco exagerada, principalmente com a personagem Anabel. Ele se apoia em diversas cenas dela balançando a perna, mexendo no celular em meio aos diálogos ou trocando de lugar repetidamente. Em alguns momentos, a sensação é de que o filme reforça excessivamente características que já haviam sido compreendidas pelo espectador.

Também vejo que a dor do luto, tão bem construída na narrativa de Anabel, não é replicada no contexto de Meiko, principalmente quando falamos da perda de sua mãe. O filme até constrói, no início, um mistério sobre isso, mas, no momento do desfecho, escolhe uma forma que, ao meu ver, é simples demais para contar essa história. Isso não combina com toda a construção delicada da obra. Parece que, no meio do caminho, o filme lembrou que precisava explicar ao público o trauma de Meiko e encontrou na conveniência do roteiro uma forma de trazer esse desfecho para a tela.

Ainda assim, Cinco da Tarde é um filme cheio de poesia e com uma conclusão muito forte, apesar de sua premissa simples. A construção da relação entre Anabel e Meiko é, de fato, o grande trunfo da obra. Em meio a tantas dores e silêncios, são raros os momentos de alegria compartilhados entre as duas, o que torna cada pequena demonstração de afeto ainda mais significativa.

Não à toa, o primeiro contato físico entre elas acontece apenas no final do filme. Depois de uma longa jornada marcada pela dificuldade de se abrir ao outro, ambas finalmente se rendem ao afeto e ao carinho de que precisavam desesperadamente. É um momento simples, mas que carrega todo o peso emocional acumulado ao longo da narrativa.

E então fica a pergunta que acompanha o filme: por que o sino não toca às 17 horas, mas sim às 18? Quando finalmente ouvimos o sino tocar às cinco da tarde, o gesto ganha um significado especial. O filme parece utilizar esse momento como símbolo da transformação vivida pelas personagens. O sino toca quando elas finalmente conseguem encontrar uma na outra o acolhimento que tanto buscavam. É um encerramento delicado, coerente com a proposta da obra e que reforça a força emocional de uma história construída muito mais pelos sentimentos do que pelas palavras.


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